The route to no-touch planning: Taking the human error out of supply-chain planning

O caminho para o planejamento no-touch: eliminando erros humanos do planejamento do supply chain

O caminho para o planejamento no-touch: eliminando erros humanos do planejamento do supply chain

Processos lentos e manuais de planejamento do supply chain podem se tornar coisa do passado com máquinas realizando tarefas repetitivas que não fazem bom uso das habilidades humanas.

O planejamento do supply chain fica mais difícil e demorado a cada dia, sendo que o setor de bens de consumo é um dos exemplos mais extremos. As causas são conhecidas: a gôndola sem fim do varejo online incentiva os consumidores a serem cada vez mais exigentes, gerando portfólios de produtos cada vez mais complexos e ciclos de vida cada vez mais curtos. Os varejistas continuam a aumentar suas exigências referentes a atendimento e entrega, com a aplicação de pesadas multas em casos de não conformidade. Por outro lado, cada vez mais dados em tempo real estão se tornando disponíveis, com a tecnologia de automação rapidamente tornando-se mais barata, mais eficaz e de implementação mais fácil, o que tem elevado o padrão competitivo em todo o setor.

Processos e ferramentas tradicionais de planejamento não foram desenhados para aproveitar os avanços da tecnologia ou para atender às demandas que ela cria. De forma geral, o planejamento ainda depende muito da agregação e limpeza de dados com uso intensivo de mão de obra, análise manual e avaliação pessoal. Para piorar, com mais sinais de demanda de clientes e consumidores agora disponíveis instantaneamente, os planejadores muitas vezes se sentem obrigados a continuar aprimorando seus planos, apesar das falhas dos sistemas e processos de planejamento existentes. Ajustes bem intencionados acabam criando mais problemas do que resolvem, introduzindo ainda mais erros e vieses inconscientes que podem aumentar os custos e exacerbar as interrupções do serviço.

Chegou a hora de adotar uma nova abordagem. Liderada por players pioneiros em alta tecnologia e varejo online, a digitalização do planejamento promete níveis inéditos de reatividade, agilidade e velocidade. Em um player avançado do setor, por exemplo, um sistema automatizado de planejamento de inventário agora integra e analisa automaticamente dados de mais de uma dúzia de fontes diferentes de dados. A consequente redução nos níveis de inventário permitiu que a empresa liberasse mais de US$75 milhões em fluxo de caixa livre. Em uma empresa de alta tecnologia, a automação de 95% do processo de pedidos para envio (desde o recebimento do pedido, passando pelo transporte até a central de expedição) reduziu em 60% o tempo de processamento de ponta a ponta, diminuindo a variabilidade e tornando o planejamento mais consistente. Em outro exemplo, um importante player do setor de alimentos e bebidas testou a análise preditiva para dobrar a precisão de suas previsões semanais de demanda no nível de varejo.

Nesse ambiente digital, ciclos de planejamento mensais ou semanais – que não sejam conduzidos pelas necessidades do negócio, mas pela capacidade de planejar equipes –tornam-se coisa do passado. Em vez disso, o planejamento no-touch, totalmente automatizado, permite um ciclo fechado contínuo e impecável de planejamento e replanejamento, aumentando a precisão e a eficiência para a empresa e seus clientes.

O que será necessário

Entretanto, para que o planejamento automatizado funcione, as máquinas precisarão, no mínimo, realizar tarefas de planejamento com a mesma qualidade que um ser humano; se não for assim, a perda de confiança ou a necessidade de supervisão humana que exige tempo irão invalidar o propósito do exercício. Para as empresas, isso faz com que o mapeamento e a segmentação de atividades sejam de extrema importância, para que possam diferenciar entre atividades que podem ser totalmente automatizadas e aquelas que ainda exigem algum nível de intervenção manual.

Maximize as tecnologias de hoje e as de amanhã

Algumas atividades, como o desenvolvimento de previsões de demanda de curto prazo para a base de unidades de manutenção de estoque (stock keeping unit ou SKU, na sigla em inglês), já podem ser feitas de forma totalmente automática. A automação de outras tarefas, como planejamento de vendas e operações (sales and operations planning ou S&OP, na sigla em inglês) de médio a longo prazo ou gestão de riscos de oferta e demanda, ainda exigem desenvolvimento e experimentação. Em alguns casos, as tecnologias ou os recursos de dados necessários ainda não estão disponíveis ou são muito caros e complexos para serem economicamente viáveis.

Construa a base correta

Para preencher essas lacunas tecnológicas, as empresas precisarão experimentar processos inovadores e novas soluções sem interromper suas operações diárias. Isso exige uma arquitetura de TI de duas velocidades, criando um ambiente rápido de “teste e aprendizado” (adequado para prototipagem rápida e desenvolvimento iterativo) utilizando a atual base tecnológica da empresa. Uma metodologia de desenvolvimento ágil com lançamentos semanais (ou mesmo diários) permite o desenvolvimento rápido de novas abordagens. Depois que novas soluções forem refinadas e comprovadas, elas podem ser transportadas para a arquitetura tradicional com foco na prestação de serviços de execução repetível e confiável.

Automação é apenas parte da história

Para capturar todo o potencial de planejamento do supply chain no-touch, as empresas também precisarão investir em advanced analytics, tecnologias de machine learning e redesenho de processos, além de adaptar suas estruturas organizacionais. A tecnologia pode produzir muitas pequenas economias referentes à redução da jornada de trabalho dos colaboradores, por exemplo, já que algumas partes das funções existentes são automatizadas ou eliminadas. Transformar essas melhorias em economia monetária real ou em reinvestimentos exigirá que funções sejam reformuladas de forma significativa.

A jornada rumo à automação requer uma infraestrutura controladora que desenvolva as práticas certas de gestão de talentos, de transformação e de desempenho. Uma abordagem comprovada baseia-se em um centro de excelência de planejamento digital, cuja função pode variar desde a formulação da visão e do direcionamento geral até a prestação de assistência para programas táticos e para gestão de desempenho, por meio do desenvolvimento de competências de liderança e orientação para seleção de fornecedores. O centro de excelência também fornece um suporte essencial para colaboração multifuncional, reunindo diferentes especialistas e alinhando seu trabalho à estratégia digital da empresa.

Como chegar lá

Um player global de bens de consumo demonstra o padrão seguido por muitas empresas que tiveram êxito na digitalização de seus processos de planejamento:

Defina o rumo

Os líderes da empresa começaram estabelecendo uma aspiração ousada, almejando ir além da automação, de forma a englobar também digitalização e analytics. Os executivos seniores elaboraram ainda um roteiro plurianual para atingir a meta, tornando a ambição muito mais tangível para toda a organização, o que teve importância fundamental.

Deixe as máquinas fazerem o trabalho

Ao reexaminar as regras de negócios, sistemas e ferramentas em toda a empresa, os processos simples e repetíveis que seriam mais receptivos à digitalização foram evidenciados. Em alguns casos, os sistemas existentes de Planejamento dos Recursos Empresariais (Enterprise Resource Planning ou ERP, na sigla em inglês) eram suficientes para automatizar as tarefas relevantes; em outros casos, contava-se com softwares básicos de Automação de Processos e Robótica (Robotic-Process-Automation ou RPA, na sigla em inglês). No final, mais de 90% das tarefas de planejamento foram automatizadas, reduzindo drasticamente o número de intervenções manuais necessárias, e ao mesmo tempo propiciou ao planejador um fácil acesso a ferramentas de apoio à tomada de decisões.

Incentive o uso de advanced analytics

A identificação dos pontos mais críticos no planejamento do supply chain da empresa revelou grandes oportunidades para o uso de advanced analytics. Depois de coletar todos os dados disponíveis – tarefa nada trivial, mas que se torna cada vez mais viável graças a novas tecnologias – a empresa pôde aplicar algoritmos de machine learning para melhorar a precisão e o detalhamento de seus processos de gestão de estoque, programação da produção e planejamento da demanda.

Pense além do S&OP e do planejamento integrado do negócio

À medida que o novo modelo for totalmente implementado, a geração de relatórios ocorrerá de forma contínua, eliminando a necessidade de ciclos de planejamento mensais e semanais e permitindo uma tomada de decisão mais rápida, mais enxuta e mais acertada.

Incorpore o processo ao negócio de forma definitiva

Para tornar toda a estrutura autossustentável, a empresa reformulou sua estrutura de governança, baseando-se em um conjunto alinhado e claramente definido de indicadores de desempenho (e incentivos) genuinamente interfuncionais para todas as operações, funções comerciais e financeiras.

Esse tipo de processo de planejamento low-touch (com baixo nível de interação humana) ou no-touch (sem interação humana) pode aumentar radicalmente os níveis de serviço, ao mesmo tempo em que reduz os custos e os estoques do supply chain para níveis que, neste momento, ficam somente na esfera da imaginação para a maioria das empresas de bens de consumo. Mas o processo está disponível agora – não é preciso esperar pelo futuro.

Sobre o(s) autor(es)

Ignacio Felix é sócio da McKinsey no escritório de Miami, no qual Christoph Kuntze é sócio associado e Eduardo Tobias Benoliel é consultor; Ildefonso Silva é sócio no escritório de Chicago.

Related Articles