Siga o dinheiro: como o IED está redesenhando a economia global

| Podcast

Observação: Nós nos empenhamos ao máximo para manter o espírito e as nuances originais de nossos artigos. Porém, pedimos desculpas desde já por quaisquer erros de tradução que você venha a notar. Seu feedback é bem-vindo através do e-mail reader_input@mckinsey.com

O investimento estrangeiro direto (IED) costumava ficar em segundo plano – era algo importante, mas distante da estratégia do dia a dia. Isso não é mais verdade. Hoje, enormes investimentos de capital em áreas como IA, semicondutores e energia limpa sinalizam claramente quais setores crescerão, onde as cadeias de suprimentos irão se estabelecer e quais regiões se tornarão dominantes. Neste episódio de The McKinsey Podcast, Nick Leung e Olivia White, sócios seniores da McKinsey, explicam à diretora editorial Roberta Fusaro por que o IED se tornou um indicador antecipado crucial de vantagem competitiva e a quais sinais os líderes precisam ficar atentos.

Mais insights da McKinsey em português

Confira nossa coleção de artigos em português e assine nossa newsletter mensal em português.

Navegue pela coleção

The McKinsey Podcast é apresentado por Lucia Rahilly e Roberta Fusaro.

A transcrição a seguir foi editada para maior clareza e concisão.

IED em destaque

Roberta Fusaro: Hoje conversaremos sobre um relatório recente do McKinsey Global Institute sobre investimento estrangeiro direto. Por muitos anos, pareceu que o IED seria apenas uma variável econômica secundária; hoje, porém, tudo indica que os CEOs precisam encará-lo mais como um sinal estratégico, não um tópico de finanças ou relações governamentais. Por que isso está acontecendo?

Olivia White: O que parece ter ocorrido nos últimos três, quatro, cinco anos – e que talvez não chegue a surpreender – é que, de um lado, o investimento estrangeiro direto para projetos greenfield [destinado a novas capacidades de produção] ou para a expansão da capacidade produtiva existente migrou em grande parte para o que chamamos de “setores que moldam o futuro” – como inteligência artificial, manufatura avançada de vários tipos (incluindo veículos elétricos e baterias) e também os recursos energéticos subjacentes.

Houve um aumento generalizado dos valores aplicados nessas áreas, de modo que há muito mais – e maiores – negócios sendo fechados envolvendo $1 bilhão, $10 bilhões e até mesmo, em um caso específico, $100 bilhões. Além disso, todos eles estão mais e mais atrelados à geopolítica. Acreditamos que, acima de tudo, esse fluxo de capital nos ajuda a discernir uma série de dinâmicas competitivas, mas ele também nos permite prever para onde o comércio e a concorrência se direcionarão no futuro.

Porque as decisões de investimento – sejam as apenas anunciadas ou as que já estão sendo implementadas hoje – nos dão indícios claros de onde os bens serão produzidos, quem estará negociando e quem será competitivo no futuro. Esses são os sinais futuros aos quais os líderes empresariais precisam prestar atenção.

As decisões de investimentos – sejam as apenas anunciadas ou as que já sendo implementadas hoje – nos dão indícios claros de onde os bens serão produzidos, quem estará negociando e quem será competitivo no futuro.

Olivia White

Nick Leung: O IED é um indicador bastante interessante de como o capital está sendo investido hoje, pois prenuncia novos padrões de comércio e as maneiras como o comércio está mudando diante da geopolítica, à macroeconomia etc. De modo que nos perguntamos: “E se examinássemos a fundo esse indicador? Que tal analisar o IED e decifrar o que ele sinaliza hoje em termos do destino final do dinheiro? Isso certamente nos dirá algo a respeito dos próximos rumos do comércio global.”

Se houvéssemos acompanhado esse padrão 15 anos atrás, teríamos visto um enorme volume de dinheiro indo para a China e criando a sua base manufatureira, e poderíamos ter antevisto nossas relações comerciais com aquele país desde então. A situação hoje é muito parecida. Contudo, o que vemos agora não envolve necessariamente a geografia. Claro, a geografia é muito importante, mas o foco maior hoje são os “setores que moldam o futuro” que Olivia acabou de mencionar.

Uma vasta gama de oportunidades

Roberta Fusaro: O relatório menciona que três quartos do IED anunciado recentemente foram para esses setores. O que isso implica para os CEOs que talvez ainda não estejam na vanguarda das empresas globais de IA, manufatura, veículos elétricos etc.? Como eles devem reagir?

Olivia White: Sua pergunta se refere também ao significado de tudo isso para quem não atua diretamente nesses setores estratégicos. Argumentaríamos que tudo o que está acontecendo tem implicações para essas empresas – ou, no mínimo, implicações potenciais – às quais elas precisam estar atentas.

Muitos investimentos acabam sendo baseados em localização – como grandes projetos de energia; ou uma mina que torne possível criar data centers para alimentar IA, computação ou treinamento de modelos; ou uma grande instalação fabril que várias empresas possam utilizar.

Para quem está construindo uma fábrica, há um sem-número de fornecedores que precisarão estar envolvidos. A demanda por energia mudará, mesmo para setores como hotelaria ou alimentação. Nesse contexto, participantes de todos os setores precisam refletir sobre uma série de considerações.

Há ainda uma ampla gama de considerações relacionadas a pressões competitivas. Quando observamos os investimentos que nossos concorrentes estão realizando, é natural nos perguntarmos: “Será que, como competidor, estou construindo as bases para operar nesse novo mercado em que já atuo ou no qual pretendo atuar?”

Se alguém pretende investir em uma fábrica de veículos elétricos ou de baterias no Brasil, na Espanha ou na Hungria, é legítimo perguntar: “Será que eu quero estar presente lá? Será que essa âncora estratégica vale a pena? Como devo reagir?”

E devemos refletir a respeito – tanto do ponto de vista da empresa investidora como do ecossistema inteiro. De que maneiras o ecossistema mudará? O que isso significará para a minha base de concorrentes?

Nick Leung: A análise que realizamos examinou essencialmente um período anterior à COVID: o final da década de 2010, de 2015 a 2019, mais ou menos. E, em seguida, basicamente de 2022 a 2025. Na verdade, estamos comparando o mundo antigo com o mundo atual. O mundo antigo não se caracterizava tanto por onde as coisas eram produzidas. O paradigma daquele mundo era plano: você montava uma fábrica onde os custos de produção eram menores e a eficiência, maior. O paradigma ignorava onde as coisas eram feitas.

O que aconteceu nos últimos anos foi que passamos a entender melhor as implicações, seja em termos de empregos ou, por exemplo, de estratégia. A geoeconomia tornou-se importante, no sentido de que o local onde os bens são produzidos tem uma série de implicações estratégicas.

Por exemplo, hoje queremos que baterias sejam fabricadas mais perto de onde elas serão utilizadas, ou que semicondutores sejam produzidos em muito mais lugares do que atualmente. Houve uma disseminação da ideia de que o local onde as coisas são produzidas é importante.

O papel da tecnologia

Roberta Fusaro: Qual é o papel da tecnologia em tudo isso?

Olivia White: Há já bastante tempo, a tecnologia vem permitindo que as empresas escolham onde querem conduzir seus negócios. Estou falando de uma dinâmica fundamental dos últimos 20, 30, 40 anos, que tornou possível desacoplar algumas atividades manufatureiras das atividades de software subjacentes, como o desenho e a engenharia de projetos.

Ou seja, podíamos escolher onde queríamos executar cada uma das atividades da cadeia com base em critérios como capacidade, custo e produtividade geral. Em termos mais concretos: nós podíamos, em princípio, desenvolver o projeto de um produto – digamos, um motor – praticamente em qualquer lugar, utilizando uma ferramenta como o AutoCAD, e depois enviá-lo para ser fabricado em outra região ou país onde houvesse capacidade produtiva disponível e uma combinação economicamente vantajosa de custos de mão de obra, capital, energia etc. E tudo facilitado pela tecnologia.

E se disséssemos: “Quero começar a produzir algo em um local onde nunca produzi antes”, tínhamos logo de perguntar: “Será que eu tenho as capacidades tecnológicas para isso?” De um lado, os avanços da tecnologia tendem a tornar possível produzir em um número maior de lugares. De outro, porém, a tecnologia não se resume a conhecimentos teóricos; ela incorpora muitos saberes práticos e o domínio de processos.

Podemos achar que impressoras 3D nos permitirão fabricar em qualquer lugar. No entanto, se houver fábricas na China que já concentram um volume imenso de conhecimentos sobre a produção de bens específicos em vastíssima escala, quem será capaz de reproduzir isso com a mesma rapidez e a mesma amplitude?

Nick Leung: Acho que a próxima palavra mais importante em todo esse debate é, sem dúvida, “tecnologia”. Acredito que estamos vendo um novo mundo sendo construído. E, quando digo “novo mundo”, me refiro a um mundo que gira em torno da tecnologia verde, dos data centers de IA, dos requisitos que eles impõem e dos semicondutores e seus locais de fabricação.

É para essas coisas que todo o dinheiro está indo e é nelas que a atenção de todos está focada – tanto das empresas como dos políticos e legisladores. Todas elas exigem enormes quantidades de novos investimentos de capital para serem implementadas.

O IED nos mostra como e onde esse mundo está sendo construído. Assim, no caso da tecnologia verde, por exemplo, vemos um grande volume de baterias sendo fabricadas em vários lugares ou novas instalações solares sendo construídas ao redor do mundo – ambos os empreendimentos muito intensivos em termos de capital.

São transações enormes. Se olharmos para a China, veremos que o IED secou nos últimos anos por causa de todas as dificuldades econômicas que o país enfrentou. No entanto, a China agora está exportando capital, pois quer construir parte dessa infraestrutura de tecnologia verde no exterior, pela qual há forte demanda em muitas partes do mundo.

Os semicondutores estão criando novos ecossistemas, que embora sejam incrivelmente benéficos, continuam muito isolados no momento. É isso que as pessoas estão tentando fazer. Basta ver os sucessivos anúncios das empresas de semicondutores sobre o aumento da capacidade de produção nos EUA.

Este é um grande impulsionador; é o futuro do mundo que está sendo construído. Os novos data centers de IA anunciados nos últimos doze meses têm dominado as conversas, porque são investimentos enormes e estão sendo feitos em locais que fazem sentido em termos da demanda potencial. Este é o futuro. Podemos vê-lo sendo construído por meio desses gigantescos investimentos globais de capital.

O IED nos mostra como e onde esse mundo está sendo construído.

Nick Leung

O impacto na Europa

Roberta Fusaro: Olivia, analisando isso de uma perspectiva mais global, poderia nos dizer o que está acontecendo na Europa?

Olivia White: A Europa vive uma situação bastante ambígua. Ela atraiu muito IED, mas o percentual que vai para setores que moldam o futuro é bem inferior ao da América do Norte. Acreditamos que seja um sinal claro de competitividade percebida.

Estou me referindo ao investimento intraeuropeu: o dinheiro que entra na Europa vindo de fora. E, de fato, grande parte dos investimentos que entraram na Europa foi em energia verde. Mas do que a Europa efetivamente precisa? Bem, para revitalizar seu crescimento e melhorar sua produtividade – e também para aproveitar o pleno potencial de tecnologias que aumentam a produtividade, como a IA –, ela precisa de investimento maciço nessas tecnologias e em outras áreas também. Existe, portanto, uma espécie de déficit de competitividade, ainda que o volume de dinheiro entrando não seja nada desprezível. Mas será necessário um maior foco em reformas comerciais e uma série de outras medidas favoráveis aos negócios.

Qual o montante atual de IED?

Roberta Fusaro: Nick, os dados revelaram algum setor específico – data centers de IA, semicondutores, baterias, energia – capaz de drasticamente reconfigurar o comércio global?

Nick Leung: Todos os investimentos que mencionei serão enormes e estão intimamente interligados, no sentido de que todos atuam em conjunto. Por exemplo: temos um data center de IA, que depende de energia verde para funcionar, que precisa de muitos semicondutores para operar.

Em essência, todos esses elementos convergem em muitos dos investimentos que estão sendo feitos.

Olivia White: Para termos uma ideia do que significa dizer que todos eles são grandes e de como o futuro está se configurando hoje, devemos observar o dinheiro que está indo para projetos de IED em várias regiões do mundo e perguntar: “O que isso implicará em termos da expansão da capacidade no futuro?”

Se atentarmos apenas para os projetos de IED no setor de baterias desde 2022, a expectativa é de mais do que quadruplicar a capacidade de fabricação fora da China. Mas outros países também estão investindo e a capacidade dos data centers que alimentam a IA em todo o mundo, fora dos EUA e da China, poderá quase dobrar.

Não há como exagerar a magnitude dos investimentos nesses locais. No caso dos semicondutores – e, especificamente, dos semicondutores de ponta – é possível argumentar que os enormes fluxos de capital entrando nos EUA alterarão por completo o equilíbrio entre os principais polos produtores e levarão os EUA a ingressar nesse círculo seleto. É por esses motivos – para não falar na energia necessária para reestruturar o setor – que tudo isso é tão importante. Em geral, aumentos de 10% ou 20% já seriam considerados expressivos; mas estamos falando aqui de aumentos de 200%, 400%.

IED no mercado americano

Roberta Fusaro: Incrível. É realmente incrível. Falamos sobre a importância do “onde” e, pelo que a pesquisa parece indicar, os EUA seriam um dos principais beneficiários das recentes migrações do IED. A China se tornou uma espécie de grande investidora no exterior. Como vocês interpretam esse reequilíbrio? Que lições os CEOs podem tirar dessa mudança?

Olivia White: Não acho que haja nenhum grande mistério escondido nesses números. No caso dos EUA, o que existem são muitas perguntas sobre exatamente qual papel o país irá desempenhar. Como as multinacionais irão se posicionar em relação aos EUA? Seja como for, não há dúvida de que a quantia de dinheiro prometida para os EUA aumentou enormemente.

Em particular, aumentaram os investimentos na fabricação de semicondutores e em certas áreas gerais de manufatura avançada. Há, é verdade, menos investimentos estrangeiros na construção de data centers nos EUA, mas isso se deve ao fato de que, no momento, as maiores empresas de tecnologia que investem em data centers de IA são americanas.

Os EUA parecem estar bastante empenhados em descobrir como desenvolver sua capacidade manufatureira, ao menos em certas áreas, e têm tentado atrair investimentos de diferentes maneiras. Até o momento, tudo indica que estão conseguindo e, de acordo com nossos estudos, esses projetos estão avançando.

Portanto, todos precisam pensar a fundo sobre o papel que querem desempenhar no mercado americano e em que medida trarão sua produção para cá. Muitas coisas podem dar errado.

Nada disso será fácil de fazer, principalmente em áreas onde houve atrofia ou as capacidades necessárias não foram desenvolvidas. Será preciso desenvolver efetivamente o capital humano e as habilidades humanas – sejam novas habilidades especializadas ou as habilidades de ofícios mais tradicionais, como soldagem. Isso será de extremo valor para o mercado.

Nick Leung: Aumentou o fluxo de dinheiro para o mercado americano devido ao reconhecimento de que, ao longo do tempo, esse mercado proporcionou retornos consideravelmente superiores aos de qualquer outro.

Isso também criou a bifurcação no crescimento atual do PIB nos EUA, muito distante do crescimento do Japão ou da Europa – embora as taxas já tenham sido bastante semelhantes no passado. Além disso, há toda essa questão do reconhecimento dos retornos. E também o outro lado da moeda, o reconhecimento de que, na China atual, particularmente nos últimos anos, esses retornos não têm sido tão evidentes quanto no passado.

De modo que houve uma recalibragem da atratividade do retorno dos investimentos, o que também direcionou mais dinheiro e mais compromissos de investimento para o mercado americano. Não se trata apenas de considerações políticas, que têm sua própria linguagem e são obviamente cruciais, mas também do fato de ser bastante fácil para os investidores justificarem tais investimentos. É uma situação em que tanto o cenário político como o econômico narram a mesma história.

Próximos passos

Roberta Fusaro: Para países e empresas que desejam que o IED funcione, certas capacidades são indispensáveis. A pesquisa revelou alguma prática recomendada?

Olivia White: Descobrimos que, na maioria das vezes, cerca de 60% dos casos, quanto maior o IED, maior o crescimento do setor. Ou seja, as chances são boas, embora não haja nenhuma garantia absoluta. De modo que nos perguntamos: “O que diferenciou os casos de sucesso daqueles em que o crescimento não foi bem-sucedido?” E verificamos que alguns fatores se revelaram cruciais. Primeiro, a existência de um ecossistema de capital humano que assegura um número suficiente de pessoas capazes de entender e desenvolver a tecnologia – e também de pessoas com treinamento mais específico para, por exemplo, trabalhar em fábricas ou nos ecossistemas de fornecedores em torno dessas fábricas.

Um segundo fator foi o aumento significativo dos investimentos domésticos. E um terceiro foi que tudo foi feito de maneira a permitir que as indústrias locais se conectassem às cadeias de suprimentos globais, de tal modo que não precisaram arcar com o fardo de produzir somente para mercados domésticos ou regionais restritos, e puderam passar a vender para o mercado global.

Nick Leung: Acho que muitos sentem que, em comparação com alguns anos atrás, há hoje mais incerteza em relação aos parâmetros, certamente se considerarmos fatos recentes como mudanças nas tarifas, realinhamento geopolítico e possíveis novos realinhamentos.

No entanto, por que temos visto essa enorme migração para os setores que moldam o futuro? O fato é que, nesses setores, ninguém pode se dar ao luxo de ficar esperando por semicondutores, porque em alguns anos tudo terá mudado outra vez. Se você não agir agora, poderá ficar irremediavelmente para trás.

Roberta Fusaro: No final das contas, quais são as duas ou três principais mensagens deste relatório sobre IED para os CEOs?

Olivia White: Primeiro, hoje estão acontecendo coisas que mudarão por completo o futuro competitivo e geoeconômico. E ninguém pode ficar aguardando para ver o que virá. Segundo, existem alguns setores em que as ações têm de ser em grande escala para funcionar, o que acaba definindo a escala necessária para entrar no mercado (que, aliás, varia de mercado para mercado). Terceiro, eu diria que os recursos energéticos ainda importam. As sementes convencionais do IED ainda estão muito, muito presentes.

Hoje estão acontecendo coisas que mudarão por completo o futuro competitivo e geoeconômico. E ninguém pode ficar aguardando para ver o que virá.

Olivia White

Roberta Fusaro: Nick, alguma mensagem da sua parte?

Nick Leung: O grande desafio para quem tem de tomar decisões hoje é que as próprias premissas das decisões mudaram. Portanto, não é apenas o que observamos que mudou; também a lente que utilizamos para observar terá de se adaptar ao que está acontecendo no mundo. Quais são as suposições que sustentamos ao longo da última década e deixaram de ser válidas?

Explore a career with us