Plataformas de Internet das Coisas Industrial (IIoT): o stack de tecnologia como alavanca de valor no setor de equipamento e maquinário industrial

Empresas de equipamento e maquinário que estejam considerando promover uma transformação para adotar a Internet das Coisas Industrial (IIoT) precisam desenvolver uma perspectiva clara para impulsionar o impacto em escala.

Vender hardware de qualidade. Esse já foi um modelo de negócios indiscutível de empresas tradicionais de equipamento e maquinário industrial. No entanto, conforme um número cada vez maior de componentes se transforma em commmodity, elas estão percebendo que é preciso mudar a fórmula do sucesso. A comoditização, associada ao acirramento da concorrência global e à mudança nos pools de valor dos stacks de tecnologia, está forçando essas empresas a alocar no digital recursos que eram exclusivamente dedicados a hardware (Quadro 1).

Constatando os limites do crescimento impulsionado por hardware, as empresas de equipamento e maquinário industrial estão se voltando para a Internet das Coisas Industrial (IIoT) para desenvolver novos modelos de negócios voltados para o cliente que aumentem a receita. No lado operacional, a IIoT pode aumentar a eficiência da produção. Quer o foco esteja na receita gerada por novos modelos de negócios, na economia trazida pela produção mais eficiente ou em ambos, os avanços na produção proporcionados pelo digital exigem a adoção da IIoT.

O mercado global de modelos de negócios viabilizados pela IIoT no setor de equipamento e maquinário industrial deve crescer substancialmente, e a conexão entre a automação industrial e as plataformas de IIoT é considerada a grande inovação do setor. O potencial de monetização das plataformas de IIoT e das aplicações viabilizadas por tais plataformas é enorme. Porém, sua implementação ainda está em estágio inicial.

Por conta da importância das plataformas de IIoT para a área de equipamento e maquinário industrial, os players do setor devem, mais cedo ou mais tarde, desenvolver uma perspectiva clara para suas organizações. Essa perspectiva deve identificar diversos tópicos essenciais, incluindo o valor em questão para receita e lucro, o prazo esperado para o desenvolvimento do mercado, elementos técnicos que precisem ser implementados, o nível ideal de investimento em tecnologias e serviços e as capacidades e parcerias a serem construídas para o sucesso da iniciativa.

Benefícios que compensam muito o (considerável) esforço

Preparar-se para a adoção e implementação da IIoT tem seus desafios. Um deles é a complexidade da arquitetura, que torna especialmente difícil a integração das operações das máquinas. A norma ISA-95, que trata da arquitetura do setor, aborda a complexidade advinda da produção global e de cadeias de suprimentos espalhadas, mas não inclui as múltiplas questões relativas a dados e segurança geradas pela conexão entre inúmeros dispositivos. Criar soluções para isso não será algo trivial. No entanto, a superação dessas dificuldades abrirá as portas para casos de uso que irão abrir uma imensa oportunidade de negócios.

  • Plataformas de gerenciamento de dispositivos. As plataformas de IIoT suportam o desenvolvimento e a implantação de aplicativos que gerenciam um número potencialmente grande de dispositivos conectados. Essas plataformas simplificam a complexidade, concentrando-se nas necessidades comuns de tecnologia de diversos aplicativos, dispositivos e usos.
  • Automação industrial e comunicação no chão de fábrica. A tecnologia IIoT apresenta uma oportunidade para o crescimento substancial da receita com IIoT e para a expansão das margens com equipamento e maquinário industrial. As plataformas, o software e o desenvolvimento de aplicativos são os elementos da IIoT que devem crescer, enquanto outros, como a conectividade da nuvem de dispositivos, provavelmente permanecerão estáveis (Quadro 2). Outros ainda, como hardware sem habilitação de serviço, devem diminuir. Os equipamentos de automação industrial e de comunicação no chão de fábrica devem estar integrados às plataformas dos fabricantes de equipamento e maquinário industrial para que haja aumento na margem de lucro do portfólio de serviços. A otimização da eficácia geral do equipamento (OEE), a manutenção preditiva e a integração entre diversos fornecedores no chão de fábrica estão entre as aplicações mais promissoras.

Considerações estratégicas de uma transformação para adotar a IIoT

Players do setor de equipamento e maquinário industrial deverão fazer avaliações realistas das suas atuais capacidades e dificuldades. Além disso, eles devem avaliar com cuidado as opções de casos de uso e plataformas antes de iniciar a transformação.

  • Compreender seu ponto de partida. Os players do setor de equipamento e maquinário enquadram-se em uma das quatro categorias abaixo em relação ao nível de maturidade tecnológica e maturidade estratégica e organizacional: maduro em ambos (“líder”), bastante imaturo no primeiro aspecto (“player interessado”), bastante imaturo no segundo aspecto (“player em impasse”) ou imaturo em ambos (“avesso”). A categoria de um player irá determinar, ao menos em parte, as prioridades da sua estratégia de IIoT e delinear o roteiro da transformação.
  • Identificar casos de uso. A avaliação do valor potencial de um caso de uso, a determinação da lógica de monetização mais adequada e a definição de seus requisitos técnicos e organizacionais ajudam a estabelecer prioridades em relação a outros possíveis casos de uso. É importante que cada caso de uso tenha uma proposta de valor claramente articulada e mensurável.
  • Determinar o valor de uma plataforma de IIoT. Os fabricantes de equipamento e maquinário industrial deverão avaliar o que uma plataforma oferece em relação à propriedade de dados e à liberdade contratual, bem como sua capacidade de crescimento e escala. Os recursos tecnológicos da plataforma em todo o stack e seu desempenho operacional geral também devem ser avaliados.
  • Escolher uma estratégia de monetização. Para casos de uso de “nova receita” - tal como software como serviço (SaaS) -, os fabricantes de equipamento e maquinário industrial precisarão desenvolver modelos de preços competitivos e implementar mecanismos que facilitem o pagamento. Os casos de uso “promotores de receita” permitem a geração de receita com negócios novos ou existentes por meio de up-selling, cross-selling ou ganhos de eficiência.

Principais compromissos e princípios que orientam a jornada da IIoT

Certamente não existe uma abordagem única e padronizada para dar os primeiros passos e permitir que uma organização implemente e monetize plataformas de IIoT. Nossas observações em relação à implementação e monetização da plataforma de IIoT, bem como em relação aos players de mais sucesso em setores adjacentes que enfrentam dificuldades semelhantes de digitalização, revelam abordagens e perspectivas eficazes que outras empresas da área de equipamento e maquinário industrial digital podem adotar para alcançar impacto em escala:

  • Estabelecer essa ambição no nível de CEO. Para monetizar a plataforma de IIoT, os players do setor devem repensar profundamente a cadeia de valor e talvez incluir nela novos fluxos de receita e recursos, além da canibalização.
  • Concentrar os esforços em um número limitado de casos de uso relevantes. Os players com maior probabilidade de atingir sucesso sustentável com a monetização da plataforma de IIoT serão aqueles que se concentrarem em um número limitado de casos de uso, ao invés de tentar abarcar o maior número possível deles.
  • Não ter medo de soluções alternativas no presente, enquanto se criam as bases tecnológicas para uma solução mais robusta no futuro. São necessários diversos recursos organizacionais para o sucesso a longo prazo da monetização da plataforma de IIoT, mas a excelência em todas as áreas não é pré-condição para iniciar o processo. Os fabricantes de equipamento e maquinário industrial devem agir prontamente nas áreas em que estão mais preparados, criar soluções provisórias para transpor lacunas e trabalhar na construção de capacidades mais permanentes que lhes permitam ter ainda mais sucesso no futuro.
  • Construir um ecossistema de parceiros tecnológicos e de negócios. Conforme descrito acima, parte da capacitação necessária exigirá relações de trabalho com uma ampla gama de players externos e instituições externas. As empresas devem começar a pensar em quais aspectos da implementação e monetização da plataforma de IIoT querem ter como “propriedade”, bem como quais aspectos devem ser objetos de terceirização, colaboração de longo prazo ou outros tipos de parcerias. Em seguida, elas precisam identificar quem serão esses parceiros e envolvê-los no processo de forma prática.
  • Formar uma equipe interna forte, com mentalidade ágil. Para captar plenamente o valor das plataformas de IIoT, as empresas precisam desenvolver capacidades internas robustas e estabelecer uma equipe multifuncional dedicada que impulsione a inovação com base em uma cultura aberta à mudança e à experimentação. Essa equipe deve estar localizada fora da organização caso os processos internos não tenham agilidade suficiente para permitir o desenvolvimento e os testes de campo de casos de uso possibilitados pela plataforma de IIoT na mesma velocidade dos players altamente tecnológicos.

Nos diversos setores, o segmento de equipamento e maquinário industrial –com suas tarefas altamente automatizáveis e dispositivos cada vez mais conectados – tem um potencial especialmente promissor de se beneficiar com as plataformas de IIoT. Não é preciso uma longa preparação ou um grande investimento inicial para testar as primeiras aplicações prospectivas das plataformas de IIoT na sua empresa. O benefício de entrar nesse universo é a produção de resultados logo no início, além do impulso à jornada que fará de sua empresa uma organização que irá abraçar quase imediatamente todo o potencial da conexão inteligente entre plataformas de IIoT, aplicativos corporativos e sistemas de chão de fábrica, levando a um stack de software industrial perfeitamente integrado.

O que você está esperando?

Baixe Leveraging industrial software stack advancement for digital transformation, o relatório completo que originou este artigo (PDF—7.8MB).

Sobre o(s) autor(es)

Lea Bolz é consultora no escritório da McKinsey em Frankfurt, Heike Freund é sócia associada no escritório de Munique e Tarek Kasah é consultor no escritório de Düsseldorf, onde Bodo Koerber é um dos sócios.

Related Articles