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Como reverter as ameaças ao crescimento da América Latina

Por Andres Cadena, Jaana Remes, Nicolas Grosman, e Andre de Oliveira
Como reverter as ameaças ao crescimento da América Latina

É urgente que a região remova os obstáculos para a competitividade, digitalize processos, melhores suas habilidades e os fundamentos de sua economia.

As economias da América Latina registraram uma média de crescimento anual do PIB de 3% nos últimos 15 anos, marca muito inferior à de outras regiões em desenvolvimento. Além disso, quase 80% do crescimento do PIB da América Latina nesse período foram provenientes do aumento da população, e não da produtividade (quadro). Entre 2000 e 2015, a produtividade em toda a região avançou apenas 0,6%, um dos piores resultados de todas as regiões do mundo. Sem maior produtividade, o crescimento fica fatalmente ameaçado por três forças de disrupção que atuam ao mesmo tempo.

Latin America

A primeira força de disrupção é a queda da taxa de fertilidade da América Latina nos últimos 15 anos, passando de quase 2,7 para uma média de 2,1 filhos por mulher. Entre 2015 e 2030, prevê-se que a taxa de aumento do emprego cairá a menos da metade, recuando para apenas 1,1% ao ano. Isso implica, considerando-se estável o crescimento da produtividade, que o aumento do PIB na América Latina será 40% menor nos próximos 15anos do que foi nos 15 anteriores.

A segunda força é o fim do superciclo de commodities, que vinha alimentando o crescimento do PIB, sobretudo na região andina. A América Latina continuará a beneficiar-se de seus abundantes recursos naturais, porém o contexto atual exige uma mudança para maior eficiência na produção e no uso desses recursos.

A terceira força de ruptura é o risco do crescente protecionismo após uma década de redução das barreiras comerciais. Causa particular preocupação o protecionismo nos Estados Unidos, país que é o destino de 45% das exportações latino-americanas.

Para combater essa ameaça ao crescimento, identificamos quatro grandes prioridades:

  • A região precisa ampliar suas atividades de alto valor agregado em todas as principais cadeias de valor, eliminando obstáculos à competitividade. Atualmente, os setores mais produtivos da América Latina (em relação aos mesmos setores dos Estados Unidos) representam menos de um quinto do total do emprego na região. Em média, os trabalhadores latino-americanos produzem 25% do que produzem os trabalhadores dos EUA.
  • As economias da América Latina precisam entrar de cabeça no atual movimento de digitalização e automatização. No entanto, de acordo com o Banco Mundial, a região investe apenas cerca de 0,8% do PIB em atividades de P&D, em comparação com uma média de aproximadamente 2,4% dos países que integram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, e 1,8% da China. Cerca de metade dos postos de trabalho em tempo integral na América Latina poderiam ser automatizados – o que poderia abranger mais de 76,4 milhões de trabalhadores em tempo integral. A produtividade aumentaria, porém, seria preciso tomar medidas para ajudar a capacitar os trabalhadores em sua transição para novos tipos de empregos.
  • Para abordar os desafios criados pela pressão sobre o contingente de mão de obra, os países da região precisam melhorar as habilidades investindo em educação e treinamento, e precisam adequar melhor essas habilidades com as necessidades das empresas. Segundo uma pesquisa da McKinsey, entre 40 e 50% dos empregadores latino-americanos citaram a falta de capacitação como principal motivo da existência de vagas do nível de entrada não preenchidas. A entrada de mais mulheres no mercado de trabalho ajudaria a atenuar a pressão nos contingentes de trabalhadores e impulsionar o crescimento do PIB. Se todos os países da América Latina se igualassem ao país de melhor desempenho da região em termos do avanço na paridade de gêneros – e uma parte enorme desse avanço seria aumentar a participação das mulheres na força de trabalho – seria possível gerar um incremento adicional de US$1,1 trilhão do PIB até 2025, 14% a mais do que pode ser alcançado com as taxas atuais.
  • Finalmente, uma estratégia de crescimento inclusiva e sustentável exige o fortalecimento dos fundamentos macroeconômicos, bem como o investimento no capital e infraestrutura que possibilitam o aumento da produtividade e a competitividade.

Governos, empresas, pessoas – todos precisam contribuir para converter esse expressivo potencial em impacto real. Os desafios da América Latina não são poucos e, muitas vezes, são bastante complexos, mas uma liderança ampla e harmonizada por parte da sociedade pode definir uma nova agenda que permitirá à América Latina atravessar a tempestade demográfica, transformar a produtividade e impulsionar o crescimento no longo prazo.

Faça o download do discussion paper que serviu de base a este artigo, De onde virá o crescimento da América Latina?, (PDF–518KB) preparado para a reunião de 5-7 de abril de 2017 do Fórum Econômico Mundial, realizado em Buenos Aires.

Sobre o(s) autor(es)

Andres Cadena é sócio sênior do escritório de Bogotá da McKinsey, Jaana Remes é sócia do McKinsey Global Institute no escritório de São Francisco, Nicolas Grosman é fellow do McKinsey Global Institute para a América Latina e Andre de Oliveira é especialista do escritório da Costa Rica.
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