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Sinergia e disrupção: as 10 tendências que estão moldando o setor de fintech

Fintech, palavra híbrida que une finanças e tecnologia, representa a colisão de dois mundos – e a evolução do uso da tecnologia nos serviços financeiros. Os serviços financeiros e a tecnologia estão unidos em um forte laço, e essa união traz tanto disrupções como sinergias.

Instituições financeiras estão se envolvendo com novas startups de tecnologia financeira, seja como investidoras, seja por meio de parcerias estratégicas. Quase 80% das instituições financeiras firmaram parcerias com fintechs (empresas de tecnologia financeira), segundo o McKinsey Panorama. Enquanto isso, o investimento mundial de capital de risco em fintechs já chegou a US$ 30,8 bilhões em 2018, em comparação com US$ 1,8 bilhão em 2011 (Quadro 1).

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O tamanho médio das transações também vem crescendo, particularmente na Ásia, onde é quase o dobro da média mundial, em grande medida devido a uma série de mega-acordos.1 O público investidor também está apaixonado pelas fintechs: a Zhong An causou impacto no ano passado com a avaliação de US$ 11 bilhões em sua IPO, e consta que a Ant Financial está realizando uma rodada pré-IPO que proporcionará à empresa uma avaliação de US$ 150 bilhões.

No entanto, as cifras de investimento total ocultam um conjunto de desenvolvimentos mais sutil. “Fintech” abrange uma gama de modelos diferentes. Vemos quatro variantes distintas, cada uma operando em nichos diferentes e com modus operandi diferentes (Quadro 2):

  • Fintechs que são novas entrantes, startups e attackers e que pretendem entrar no ramo de serviços financeiros usando novas abordagens e tecnologias. Essas empresas buscam criar modelos econômicos semelhantes aos dos bancos, muitas vezes visando a um nicho ou produto específico. O principal desafio das fintechs deste grupo é o custo de aquisição de clientes.
  • Fintechs que são instituições financeiras estabelecidas e estão fazendo investimentos substanciais em tecnologia para melhorar o desempenho, reagir a ameaças da concorrência e captar oportunidades de investimento e parceria.
  • Fintechs que são ecossistemas coordenados por grandes empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros tanto para melhorar plataformas existentes (por exemplo, o AliPay apoiando a oferta de e-commerce da Alibaba) quanto para monetizar dados de usuários ou relacionamentos com usuários atuais. Devido ao alto grau de envolvimento dessas plataformas de tecnologia com seus usuários, elas costumam ter uma enorme vantagem em termos de custo de aquisição de clientes em relação a outras empresas.
  • Fintechs que são provedoras de infraestrutura e que vendem serviços a instituições financeiras para ajudá-las a digitalizar seus stacks de tecnologia e a melhorar a gestão de riscos e a experiência do cliente.
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Acreditamos que o futuro se descortinará de maneiras diferentes para cada tipo de fintech e que elas enfrentarão obstáculos muito distintos. Por exemplo, enquanto o sucesso ou o fracasso das provedoras de infraestrutura geralmente depende dos recursos técnicos ou dos produtos, as startups voltadas ao consumidor costumam ter dificuldades no que tange aos custos de aquisição de clientes.

Para as instituições financeiras estabelecidas, os maiores obstáculos estão relacionados tanto à organização e às habilidades quanto ao investimento em tecnologia em escala. Mudar modelos operacionais e mentalidades tradicionais para oferecer jornadas digitais no ritmo das startups não é tarefa fácil para uma gigante financeira.

Para os players de tecnologia consagrados que estão entrando no ecossistema de fintechs, os desafios regulatórios podem se mostrar um obstáculo. É improvável que a abordagem de “mover-se rápido e romper barreiras”, que causou disrupção no setor de publicidade, seja tolerada em serviços financeiros. Além disso, preocupações relacionadas a comportamentos monopolistas podem impedir as gigantes ocidentais de tecnologia de desenvolver as ofertas integradas de serviços financeiros que vemos ser desenvolvidas pela Ant Financial ou pela Tencent na China.

Deixemos de lado as manchetes e os jargões que impregnam a discussão sobre as fintechs e analisemos mais de perto as tendências atuais e as implicações para as empresas estabelecidas e attackers.

Dez tendências mundiais do setor de fintech

1. Ampla variação regional na disrupção causada pelas fintechs

Os vencedores do setor de fintech estão surgindo principalmente em um nível regional, e não mundial, de forma semelhante ao que acontece com os bancos de varejo tradicionais. A complexidade regulatória dentro dos países e em todas as regiões está contribuindo para resultados regionais do tipo “o vencedor fica com a maior parte” para os disruptores. As empresas precisam investir mais em conformidade regional, em vez de lançarem uma iniciativa mundial logo de início.

Por exemplo, na transferência de dinheiro, a aprovação regulatória em um único país da União Europeia pode ser repassada a todos os outros países do bloco. Isso incentivou muitas startups de pagamentos transnacionais – como a World Remit e a TransferWise, no Reino Unido – a se expandirem para países europeus vizinhos antes de atravessarem o Atlântico, o que requer investimentos regulatórios adicionais. Estados individuais dos Estados Unidos exigem licenças para transferência de dinheiro, o que torna a expansão para o país mais complicada para as operadoras europeias. Isso também explica por que operadoras de transferência de dinheiro dos Estados Unidos como a Xoom e a Remitly demoraram mais a ir para a Europa e ainda não estão operando na Ásia como mercados emissores.

Na China, onde a regulamentação tem sido mais flexível, ecossistemas foram formados por gigantes da tecnologia como a Ant Financial, que entraram diretamente e estão remodelando muitos segmentos financeiros, inclusive os de pagamentos digitais, de empréstimos e de gestão de patrimônio e ativos. Nos Estados Unidos e na Europa, que têm requisitos regulatórios rigorosos e ofertas bancárias bem estabelecidas, as iniciativas têm sido mais fragmentadas e os grandes players de tecnologia têm se limitado a ofertas de pagamentos e a algumas ofertas de empréstimos em pequena escala.

Com o amadurecimento dos mercados de fintech, os attackers que estabeleceram presença regional agora estão de olho na expansão internacional. Para entrarem com sucesso em novos mercados, eles devem adaptar-se a novos conjuntos de dinâmicas de mercado e regulamentações governamentais, além de selecionar novos mercados com base em um claro entendimento das variações regionais.

2. AI é uma evolução significativa, não um grande salto para as fintechs

O buzz em torno das aplicações da inteligência artificial (AI) em fintech é intenso, mas, até agora, poucos casos de uso independentes foram escalados e monetizados. Em vez disso, vemos técnicas de modelagem mais avançadas, como machine learning, complementando o analytics tradicional em fintech. Embora a AI pareça bastante promissora, é provável que seja mais uma evolução do que um grande salto em direção a novos métodos e fontes de dados.

Por exemplo, muitos attackers em concessão de crédito afirmam usar a AI para analisar vastas fontes alternativas de dados – que vão de números de telefone celular a atividades nas redes sociais –, mas ainda não substituíram os métodos tradicionais de concessão de crédito. Em muitos casos, os marcadores tradicionais, como o histórico de liquidação de dívida, ainda são melhores indicadores de qualidade de crédito do que o comportamento nas redes sociais, sobretudo em mercados onde os históricos de crédito (e agências especializadas para monitorá-los) estão bem estabelecidos. Como consequência, embora as plataformas de empréstimo ao consumidor estejam incorporando cada vez mais abordagens iterativas de machine learning para melhorar continuamente o desempenho atual, elas não precisam dar um salto quântico em AI para fazer isso.

Pelo menos no curto prazo, os vencedores podem não ser caracterizados por abordagens de modelagem completamente novas ou pelos algoritmos mais complexos, mas pela capacidade de aliar advanced analytics e fontes de dados distintas a seus fundamentos empresariais atuais.

3. Boa execução e modelos de negócio robustos podem superar as tecnologias exóticas

As fintechs de maior sucesso evoluíram a ponto de se tornarem máquinas de execução que entregam rapidamente produtos inovadores, com as correspondentes campanhas de marketing digital dinâmicas. Notavelmente, as startups vencedoras costumam ser bem-sucedidas sem usarem tecnologias totalmente novas. A iteração orientada por dados, associada a testes de usuário realizados logo no início e de forma contínua, levou a uma ótima compatibilidade entre produto e mercado para essas empresas.

Embora as tecnologias de ponta sejam empolgantes, também podem ser complexas; a demanda tampouco foi testada, o que pode resultar em longos tempos de ciclo, com poucas oportunidades de validar o modelo de negócios. A título de exemplo, consideremos a transferência transnacional de dinheiro, mercado tradicionalmente dominado por grandes empresas estabelecidas, como a Western Union. Apesar do grande entusiasmo com as fintechs – particularmente com as soluções baseadas em blockchain – que estão entrando nesse espaço, nenhuma startup chegou perto da escala da TransferWise, empresa digital que é baseada em “payment rails” tradicionais, e não uma reinvenção usando as tecnologias mais recentes. A TransferWise utilizou uma ótima experiência do usuário e campanhas de marketing diferenciadas para crescer rapidamente, conseguindo, assim, causar disrupção no espaço e relatar receitas de £ 117 milhões em março de 2018.

4. O exame dos fundamentos empresarias está aumentando à medida que o financiamento fica mais seletivo

Anos após a explosão das fintechs, depois de muitos altos e baixos, os investidores estão ficando mais seletivos. Embora o financiamento geral permaneça em níveis historicamente altos, os investidores em tecnologia de todo o mundo estão cada vez mais investindo em empresas comprovadas, em estágio avançado, que se mostraram promissoras em obter escala e lucros significativos. Dados compilados pela PitchBook mostram que, apesar do claro aumento do financiamento total por capital de risco, os investimentos em fintechs em estágio inicial caíram mais de 50%, de um pico de mais de 13 mil transações em 2014 para cerca de 6 mil em 2017. Os critérios para o financiamento estão aumentando em rigor rapidamente, e as empresas que não têm um caminho claro para a monetização terão mais dificuldade em atendê-los.

De fato, várias fintechs conhecidas e bem capitalizadas ainda precisam desenvolver um modelo de negócios sustentável e talvez precisem encontrar um caminho rápido para obter receitas mais significativas para continuarem a atrair capital. Isso é especialmente evidente no caso dos bancos digitais desafiantes. Alguns levantaram valores significativos, mas ainda têm dificuldade para monetizar seus produtos de forma eficaz; outros ainda não entregaram um produto de conta corrente devido a complicações relacionadas a licenças e regulamentações.

A adoção, pelo cliente, de modelos de negócios verdadeiramente inovadores leva tempo, e os attackers de menor escala podem precisar de investimentos pesados em infraestrutura por um longo período antes de as receitas começarem a chegar. As startups de blockchain, por exemplo, estão atraindo uma quantidade significativa de capital de risco com infraestruturas radicalmente novas para pagamentos e outros setores. Entretanto, as empresas estabelecidas continuam cautelosas, mantendo o blockchain no modo de protótipo – e o salto para a geração de receita ainda não ocorreu.

5. Uma experiência de usuário excelente já não é suficiente

Quando os bancos tinham sites desajeitados, que não apareciam bem na tela do celular, era fácil, para as fintechs, conquistar clientes, bastando criar um aplicativo satisfatório com uma ótima experiência de usuário (UX). Hoje, a maioria das instituições financeiras transformou sua experiência de usuário no varejo, oferecendo funcionalidade móvel completa com os melhores princípios de design da categoria. Agora, uma UX excelente é a norma. Portanto, os clientes precisam de mais motivos para mudar para as novas ofertas das fintechs.

A Robinhood, fintech de negociação de ações sediada nos Estados Unidos, simplificou as negociações de ações ao eliminar as comissões em seu aplicativo móvel, que é fácil de usar e oferece uma UX ótima. Antes disso, no entanto, ela formou sua base de usuários com ofertas de produtos gratuitos. De início, ela ganhava dinheiro investindo os saldos dos usuários. No final de 2016, a empresa lançou uma oferta premium de sucesso chamada “Robinhood Gold”, que adicionava taxas referentes a margem e a negociações fora do horário de expediente.

Interfaces simples, facilidade de uso e itens gratuitos já não são sinônimo de um modelo de negócios viável. Os attackers agora precisam encontrar maneiras mais robustas de se diferenciarem das empresas estabelecidas.

6. As empresas estabelecidas podem contra-atacar e, de fato, estão fazendo isso

Em termos gerais, as empresas estabelecidas eram lentas, de início, em reagir diretamente às fintechs attackers, talvez por medo de canibalizar franquias fortes preexistentes. Muitas começaram testando ofertas digitais em regiões geográficas ou atividades não principais, em que poderiam assumir mais riscos. Os bancos de varejo vêm liderando o processo de atualização das experiências digitais para se igualarem às fintechs em seus principais produtos bancários. Por exemplo, o Wells Fargo adicionou, recentemente, um recurso bancário preditivo que analisa as informações da conta e as ações do cliente para oferecer orientação financeira e insights personalizados, com mais de 50 tipos de avisos.

A franquia de crédito ao consumidor Marcus, da Goldman Sachs, talvez seja a mais destacada tentativa de entrar no meio digital por parte de um banco de investimento. A Marcus surgiu como uma entrante improvável no crédito ao consumidor em 2016, mas recentemente ultrapassou US$ 3 bilhões em volume de empréstimos ao consumidor nos Estados Unidos.2 A Goldman utilizou técnicas consagradas de marketing e vendas digitais para se tornar líder em crédito ao consumidor em um curto período de tempo, atingindo US$ 1 bilhão em empréstimos em apenas oito meses, enquanto muitos concorrentes levaram mais de um ano. O sucesso da Marcus nos Estados Unidos levou-a a entrar no Reino Unido em setembro de 2018, onde conquistou 100 mil clientes para seu produto de poupança no primeiro mês3 – mais uma prova de que, embora a inovação técnica seja importante, um modelo de negócios sólido permanece fundamental.

Outros bancos de investimento vêm se concentrando mais em serviços de assessoria automatizada em suas iniciativas digitais. Em 2017, o Morgan Stanley lançou a Access Investing, uma plataforma digital de gestão de patrimônio nos Estados Unidos com limite mínimo de investimento de US$ 5 mil; no mesmo ano, o Merrill Lynch (Merrill Edge Guided Investing) e o Deutsche Bank (Robin) lançaram ofertas semelhantes. O Vanguard foi ainda mais ágil para reagir à tendência, usando sua marca e base de clientes atuais para ampliar suas ofertas rapidamente desde o lançamento em 2015; consta que seus ativos sob gestão digitais atingiram US$ 120 bilhões em 2018.

7. Outros attackers e empresas estabelecidas estão firmando parcerias

Um número crescente de empresas estabelecidas e fintechs está percebendo as vantagens da combinar seus pontos fortes em modelos de parceria. À medida que chegam ao ponto de saturação em seus canais nativos de marketing digital, muitas fintechs agora estão buscando parcerias ativamente para expandir seus negócios. Elas levam à mesa sua maior rapidez e maior tolerância ao risco, além de flexibilidade para reagir às mudanças do mercado. As empresas maiores de ecossistema, por sua vez, levam suas bases de clientes amplas e fiéis de seus negócios de internet principais.

As instituições financeiras estabelecidas são mais cautelosas quando se trata de parcerias, sobretudo em seus principais produtos de conta corrente e hipoteca. Mas seus grandes conjuntos de dados de clientes, acumulados por longos períodos de tempo, são atributos muito atraentes para as fintechs. Além disso, as competências regulatórias e de conformidade das empresas estabelecidas podem ser bastante valiosas para entrantes novas e menores. Em consequência disso, a expectativa é que tanto as parcerias quanto as aquisições aumentem.

Vários bancos globais já estão trilhando o caminho das parcerias. A estratégia digital do JPMorgan inclui parcerias recentes com fintechs, entre as quais a financiadora digital de pequenas empresas OnDeck, a fintech de hipotecas Roostify e o aplicativo de mensagens seguras Symphony. Em 2015, o ING lançou o que chamou de “Fintech Village”, uma aceleradora de startups na Bélgica, liderada por um chefe global de fintech exclusivo. Lançado em 2017, o ING Ventures é um fundo de € 300 milhões com foco em investimentos em fintechs que investiu ou firmou parcerias com um total de 115 startups nos últimos três anos. Em alguns casos, o ING desenvolveu parcerias estratégicas com as empresas em que investiu, como a plataforma de empréstimos online automatizados Kabbage.

As instituições financeiras da China tendem a adotar uma abordagem diferente, fazendo parcerias com grandes empresas de ecossistema de tecnologia, e não com fintechs menores. Cada um dos “quatro grandes” bancos da China4 fez parceria com pelo menos uma empresa de ecossistema em 2017. Entre os exemplos estão um laboratório de fintech lançado em conjunto pelo Bank of China e a Tencent e um acordo entre o China Construction Bank, a Alibaba e a Ant Financial para digitalizar as experiências bancárias dos clientes.

8. Fintechs de infraestrutura: o potencial é alto, os ciclos de vendas são longos

Assim como uma gigantesca torre de bloquinhos de madeira, o stack (“pilha”) de TI preexistente de uma empresa contém muitos componentes, sendo alguns de prateleira e outros desenvolvidos internamente. À semelhança do brinquedo, remover ou substituir “peças” do stack de TI pode ser arriscado e complicado. Muitas vezes, a inovação digital é prejudicada pela TI preexistente, em particular o sistema bancário central (CBS, na sigla em inglês), e os custos das mudanças são altos.

Têm surgido várias fintechs de CBS que veem os problemas da TI preexistente como uma oportunidade de ouro para a disrupção. Como os vendedores de “picaretas e pás” a mineradores durante uma corrida do ouro, elas não estão tentando causar disrupção nas empresas estabelecidas, e sim desenvolver um negócio lucrativo ao ajudarem os bancos a atualizar suas capacidades tecnológicas em um mundo de APIs modulares e abertas. Muitas instituições financeiras estão avaliando a substituição de seus sistemas de TI centrais nos próximos cinco a dez anos. Por enquanto, porém, as fintechs de CBS estão encontrando negócios com bancos menores ou mais novos. O New10, banco digital lançado nos Países Baixos pelo ABN Amro em 2017, usou a Mambu, uma fintech attacker da área de infraestrutura, em seu CBS.

Devido aos longos ciclos de vendas e à aversão ao risco, as fintechs de CBS podem entrar em uma briga difícil com as instituições maiores, particularmente por algo tão importante quanto a infraestrutura central. O processo tradicional de procurement e de integração de novos fornecedores ou aplicativos dos grandes bancos pode representar um desafio para as fintechs mais novas que não têm histórico e rigor na conformidade.

Portanto, as fintechs de CBS provavelmente continuarão a visar bancos menores ou a se concentrar em áreas não centrais. Isso deve permitir que as fintechs comprovem seus conceitos e fortaleçam sua reputação, ao mesmo tempo em que fazem o ajuste fino de suas ofertas de produtos para clientes maiores.

9. Há um retorno hesitante aos mercados de capital aberto

À medida que as fintechs amadurecem, em algum momento deverão decidir se abrirão seu capital. Embora tanto investidores quanto funcionários precisem de um caminho para a liquidez, muitos CEOs fundadores de fintechs têm preferido permanecer no mercado de capital fechado para evitar o ônus da abertura de capital – bem como as críticas recebidas por outras fintechs que testaram o mercado de IPOs.

Muitas fintechs de empréstimos peer-to-peer (P2P) – que estiveram entre as primeiras a abrir o capital nos Estados Unidos – viram sua avaliação cair drasticamente no mercado de capital aberto. As ações de diversas fintechs chinesas de empréstimos que estavam registradas na Bolsa de Valores de Nova York e na Nasdaq em 2017 passaram a ser negociadas, em seguida, muito abaixo de seus preços de IPO, devido a relatos de inadimplência e às regulamentações desfavoráveis na China.

Contudo, há sinais de mudança de humor. A fintech de pagamentos holandesa Adyen entrou na bolsa em junho de 2018 e viu o preço de suas ações dobrar. A Funding Circle, empresa de empréstimos P2P do Reino Unido, entrou na bolsa em outubro de 2018. Apesar do desempenho medíocre das fintechs chinesas de empréstimos mencionadas acima, outra empresa chinesa de empréstimos P2P, a X Financial, entrou na bolsa em setembro deste ano. Com as fintechs ganhando escala e caminhando para a lucratividade, os executivos terão de equilibrar liquidez mais alta e maior exposição pública ao cogitarem um IPO.

10. Os ecossistemas de fintech chineses ganharam escala e inovaram mais rapidamente do que seus equivalentes ocidentais

Os ecossistemas de fintech da China são estruturalmente diferentes de seus equivalentes norte-americanos e europeus. Fora da China, as fintechs de maior sucesso costumam ser attackers que se concentraram em um mercado vertical, como pagamentos, empréstimos ou gestão de patrimônio, aprofundando sua oferta principal e expandindo-se geograficamente. Nos Estados Unidos, por exemplo, a PayPal e a Stripe se concentram principalmente em pagamentos online, a Betterment e a Wealthfront oferecem gestão de patrimônio digital, e a LendingClub e a Affirm são empresas de empréstimos alternativos – todas estratégias comprovadas.

Em contraste, na China, as fintechs de maior sucesso são gigantes da tecnologia que criaram ecossistemas financeiros com base em plataformas de consumidores de alto envolvimento (Quadro 3). A Ant Financial – desenvolvida com base na plataforma de e-commerce da Alibaba – oferece soluções completas de fintech entre empresas e consumidores, com produtos como o Alipay para pagamentos online, o Yu’e bao para investimentos a partir da carteira Alipay, o MYbank para empréstimos e serviços bancários digitais e muitos outros. Da mesma forma, a Tencent presta uma ampla gama de serviços financeiros digitais em sua plataforma social preexistente.

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Esses ecossistemas inovaram e ganharam escala rapidamente. As gigantes da tecnologia que os organizam têm acesso a enormes quantidades de dados para desenvolver e aprimorar suas ofertas (por exemplo, adequando serviços a diferentes segmentos de usuários com base em seus hábitos e estilo de vida) e podem avaliar o risco de forma mais eficaz com base nos perfis dos clientes nas redes sociais (aplicativo de mensagens WeChat da Tencent) ou no seu comportamentos de gastos (sites de e-commerce Tmall e Taobao da Alibaba).

Embora haja comparativamente menos players independentes na China, os que obtêm sucesso não são, de forma alguma, pequenos. As financiadoras de fintechs Qudian e PPdai abriram o capital em 2017 e foram registradas em bolsa com valores de mercado US$ 7,9 bilhões e US$ 3,9 bilhões, respectivamente, nas IPOs.

Três tendências moldarão o panorama dos serviços financeiros digitais da China. Em primeiro lugar, os grandes players de ecossistema continuarão a usar a tecnologia e os canais digitais para lançar suas ofertas de serviços financeiros, seja vendendo diretamente ao consumidor, seja, cada vez mais, apresentando ofertas de “fintech como serviço” de marca própria a instituições financeiras de pequeno e médio portes.

Em segundo lugar, assim como no Ocidente, esperamos ver os bancos e companhias de seguros tradicionais investindo pesadamente em ofertas digitais e tirando proveito de suas marcas e relacionamentos com clientes existentes para contra-atacar com mais sucesso os players totalmente digitais. A Ping An é a mais avançada dentre as prestadoras de serviços financeiros tradicionais em termos de investir fortemente em uma gama de ofertas digitais e está começando a criar seu próprio ecossistema digital.

Em terceiro lugar, é provável que o aumento da regulamentação governamental elimine gradualmente as fintechs menores que não estiverem em conformidade ou que forem menos competitivas. O governo tornou mais rigoroso o controle de pagamentos, empréstimos P2P e assessoria automatizada no ano passado, e essa tendência deve permanecer. Isso pode levar a uma consolidação adicional no próximo ano ou nos próximos dois anos – mais uma boa notícia para as grandes empresas de tecnologia que desejam dominar o panorama.


O setor de fintech vem apresentando uma evolução considerável nos últimos anos e continua a mudar rapidamente. Aliás, é provável que as tendências delineadas neste artigo sejam logo substituídas por novos movimentos, à medida que surjam novos vencedores e que os líderes atuais amadureçam e se diversifiquem.

Os investidores em fintech devem ser bastante seletivos na alocação de capital, à medida que nos aproximamos do possível estágio final dessa onda em alguns segmentos e empresas. Como as grandes empresas de tecnologia estão batendo à sua porta, as instituições financeiras estabelecidas devem se envolver proativamente com a disrupção causada pela fintech, seja desenvolvendo suas próprias capacidades, seja fazendo parcerias ou aquisições. Para as fintechs attackers e as provedoras de infraestrutura, o caminho para o sucesso não é fácil. Com o amadurecimento dos mercados de fintech, as empresas das quatro categorias de fintech concorrerão diretamente entre si, em alguns casos, e unirão forças, em outros.

Sobre o(s) autor(es)

Jeff Galvin é sócio, John Qu é sócio sênior e Arthur Shek é sócio associado da McKinsey no escritório de Hong Kong. Feng Han é sócio no escritório de Shenzhen, Sarah Hynes é expert no escritório de Londres e Kausik Rajgopal é sócio sênior no escritório do Vale do Silício.

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