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Dez tendências que definem o cenário de negócios da Internet das Coisas

Nossa experiência em trabalhos com Internet das Coisas mostra onde está o real valor.

Ao trabalhar em projetos relacionados à Internet das Coisas com nossos clientes durante o último ano, observamos dez tendências que ajudam a definir o setor, e acreditamos que elas permanecerão válidas em 2019.

No nível corporativo

1. A Internet das Coisas é uma oportunidade de negócio, e não apenas uma oportunidade tecnológica

No passado, a Internet das Coisas foi com frequência percebida principalmente como um desafio tecnológico. Assim, é bastante comum ter o CIO como líder dos esforços nesse tema. Mas observamos cada vez mais que a maximização do impacto econômico do esforço relacionado à Internet das Coisas exige também um amplo conjunto de mudanças nas práticas do negócio. Conectar uma turbina eólica à internet, por exemplo, significa que ela se torna capaz de enviar dados aos gerentes sobre quando será necessário passar por manutenção ou sobre a existência de uma oportunidade de otimização. No entanto, se os processos gerenciais e de manutenção não tiverem sido implementados – por exemplo, se a cadeia de fornecimento não for capaz de entregar uma peça de reposição – não há como aproveitar os benefícios existentes.

2. A execução disciplinada de múltiplos casos de uso é o caminho para capturar valor

Muitos clientes nos pedem para ajudá-los a achar o “aplicativo mestre” que fará toda a diferença ao utilizar a Internet das Coisas. Dado que existem centenas de aplicativos para Internet das Coisas com uma grande variação do valor em potencial, geralmente sugerimos aos nossos clientes iniciar qualquer esforço que envolva esse tema com a definição clara da visão e uma reconceituação profunda do negócio. Nosso trabalho com clientes e as pesquisas independentes que realizamos nos mostraram que o maior valor da Internet das Coisas (em termos de melhoria dos resultados financeiros) é obtido por meio da experimentação de diferentes casos de uso, cada um deles devidamente baseado em um caso de negócios específico ligado à estratégia, e de sua execução disciplinada, em vez de empregar a tática bastante comum de se ater às ideias mais atraentes. O maior impacto é conseguido perseguindo uma curva de aprendizado construída a partir dos casos de uso (Quadro 1).

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3. A Internet das Coisas tem gradativamente permitido um maior número de modelos de negócio de assinatura, mas os consumidores permanecem resistentes

“Uso por hora” é um conceito que tem sido utilizado há décadas com maquinário muito complexo e caro, como motores de aeronaves. Mas ativos conectados de menor complexidade e valor também podem ser vendidos em um sistema do tipo “por hora ou ano”. Em vez de terem um custo de capital fixo e uma taxa de manutenção, os fabricantes têm oferecido cada vez mais serviços como bomba de água ou compressor de ar por tempo de uso – o que pode ser um arranjo financeiro satisfatório tanto para os vendedores como para os compradores. Do lado doméstico, embora produtos não conectados e de baixo valor, tais como alimentos e produtos de higiene pessoal, estejam disponíveis há bastante tempo pelo sistema de assinatura, sistemas semelhantes para produtos conectados de maior valor (por exemplo, computadores e eletrodomésticos) passaram a ser disponibilizados, mas até o momento tiveram adesão aquém do esperado. Acreditamos que isso ocorra por três motivos? tais ativos têm um tempo de vida útil menor quando comparados a ativos industriais, o sistema de leasing pode trazer vantagens semelhantes, e a manutenção preditiva pode não existir, levando os consumidores a preferir o uso de garantia ou de troca do produto.

Nível de mercado

4. Ventos favoráveis estão soprando nos segmentos da indústria pesada

A “internet industrial” é real. Observamos clientes ganhando tração considerável nos setores de petróleo e gás, mineração, provedores de serviços públicos e agricultura, enquanto o impacto tem sido crescente em segmentos da indústria avançada, tais como automotivo, máquinas complexas e fabricação discreta. Seja conectando produtos que elas fabricam e vendem, seja combinado produtos conectados para criar uma cadeia de valor mais eficiente, o fato é que essas empresas da indústria pesada estão liderando a corrida para obter valor com a Internet das Coisas.

Uma das dez principais empresas fornecedoras de energia utilizou aplicativos de Internet das Coisas como parte de um programa mais abrangente de atualização de tecnologia e processos para reduzir os custos de produção da unidade em até 33% em um período de cinco anos. Nos últimos três anos, a empresa economizou mais de US$9 bilhões em custos de capital. Ao utilizar análises baseadas em Internet das Coisas para dados sobre poços de perfuração, a empresa também conseguiu estender a produção de poços de petróleo maduros.

5. A Amazon e o Google atingiram massa crítica em casas conectadas

A casa conectada se tornou um conceito comercialmente disponível há mais de 25 anos, mas nunca conseguiu efetivamente decolar. Este quadro está finalmente mudando. A Alexa e o Google Assistente conseguiram atingir massa crítica e, apesar de algumas questões preocupantes no que diz respeito à segurança e à privacidade, estão cada vez mais integrados em nossa forma de operar nossas casas. Os dois sistemas estão estabelecendo uma posição como “ponto de controle” para a casa – comparativamente, as tentativas anteriores eram muito caras, muito complicadas e menos ajustadas ao futuro. Os consumidores, em especial os mais jovens, utilizam esses equipamentos para fazer compras, controlar opções de entretenimento, ajustar temperatura e luminosidade e, até mesmo, fazer o café. Isso tem implicações importantes para a estratégia da Internet das Coisas, uma vez que fabricantes e varejistas posicionam seus produtos e serviços para se integrarem às casas conectadas.

6. Empresas de Internet das Coisas chinesas estão vencendo localmente e começando a ganhar terreno na esfera global

Um número expressivo de grandes empresas e de startups ocidentais quer capturar um pequeno pedaço da enorme oportunidade do mercado de Internet das Coisas na China. No entanto, praticamente em cada etapa dessa jornada, já existe uma empresa chinesa de boa credibilidade para competir por uma fatia – por exemplo, BAT (Baidu, Alibaba e Tencent) em infraestrutura de nuvem como serviço (IaaS), Xiaomi em wearables e smartphones, Ayla em aparelhos e AVAC (aquecimento, ventilação e ar-condicionado) conectado ou Lifesmart ou Landing no segmento de casas inteligentes. O ecossistema chinês de Internet das Coisas parece monitorar e ocupar espaços regionalmente, e muitas empresas ocidentais estão enfrentando desafios maiores do que esperavam. Além disso, empresas chinesas de Internet das Coisas têm aspirações globais e estão seguindo fabricantes industriais da China, que vêm se globalizando e entrando nos países que fazem parte da iniciativa do cinturão econômico da Rota da Seda (Belt & Road1 ).

Tecnologia e dados

7. Conflitos sobre acesso de dados estão retardando o impacto do negócio

Durante muitos anos, a decisão de compartilhar dados gerados por uma fábrica ou um equipamento com qualquer pessoa que tivesse um bom motivo para solicitá-los raramente era uma decisão da alta gerência. Mas os donos dos ativos se tornaram mais espertos e têm colocado restrições cada vez maiores com relação a quem tem permissão para visualizar os dados gerados por suas máquinas. Além disso, muitos governos implementaram regulamentações bastante rígidas com relação à soberania e à privacidade dos dados – muitas vezes, com bons motivos para tal – mas, na prática, criando mais restrições e complicações. A empresa proprietária do ativo que produz os dados, por exemplo, pode não ser a empresa mais bem posicionada para alavancar esses dados. E disputas e brigas legais sobre o acesso e a propriedade de dados podem atrasar a criação de valor. Acreditamos que um de dois cenários básicos deverá ocorrer: (1) as empresas se tornarão abertas ao compartilhamento de dados com montadoras, uma vez que isto traz mais valor ao operador do que participar sozinho do processo (por exemplo, no caso de motores de aeronaves); ou (2) os operadores manterão o controle sobre os dados para diferenciar o desempenho (por exemplo, com caminhões de mineração, onde as condições de operação são muito variáveis).

8. Pressões de custo estão determinando se o ambiente de nuvem ou “edge” se tornará o principal para a Internet das Coisas

Para aqueles que são novatos no assunto Internet das Coisas, uma premissa comum é a de que os dados precisam estar em nuvem ou em alguma outra localização central para que possam ser analisados. Às vezes, isso é verdade, mas enquanto os custos de transmissão permanecerem altos, especialmente para ambientes industriais remotos, a realização de algumas análises em “edge” – ou seja, em um ambiente adjacente ao local em que os dados são produzidos – deverá se tornar uma opção viável. Em muitos setores industriais com ativos remotos e/ou móveis (como petróleo e gás, aviação e transporte), pode ser mais eficiente em termos de custo transferir uma parte da inteligência analítica para as adjacências. Veículos autônomos enfrentam um desafio similar; mesmo com tecnologias de transporte de dados melhores, como 5G, os tempos de resposta para veículos que se movimentam rapidamente podem tornar mais relevante uma solução baseada em “edge”. Na maior parte dos casos, o debate sobre armazenar dados e análises em “edge” ou centralmente na nuvem gira em torno de qual das opções está diminuindo mais rapidamente: o custo e a latência da transmissão de dados ou o custo de equipamentos inteligentes de “edge”. O preço de ambas vem baixando, mas ainda não está claro qual das abordagens prevalecerá.

9. Ataques cibernéticos não parecem estar prejudicando os esforços existentes em matéria de Internet das Coisas

A segurança cibernética é o principal assunto para virtualmente todos os CXOs (Chief Experience Officer) envolvidos com Internet das Coisas. Segundo nossas pesquisas, quase 50% deles admitem que já sofreram algum ataque (e é provável que uma parcela significativa dos demais também tenha sido atacada, mas ainda não tenha se dado conta). Daqueles que sabem que foram atacados, mais de 25% sofreram o que consideram ser danos importantes ou graves (Quadro 2). Crimes cibernéticos são um risco persistente que demanda diligência e cuidado. Posto isso, a maior parte das empresas, mesmo aquelas que já foram atacadas e sofreram danos substanciais, não está reduzindo suas atividades relacionadas à Internet das Coisas. Em suma, na maioria dos casos, a segurança cibernética é uma preocupação grande, mas não uma barreira para a adoção de Internet as Coisas. Empresas envolvidas com Internet das Coisas em mais larga escala encaram isso como imperativo estratégico e, embora possam mudar a política e investir mais em segurança cibernética, elas não estão reduzindo suas atividades nessa área.

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10. A inteligência artificial (IA) floresceu com a Internet das Coisas nos últimos dois anos

A inteligência artificial existe de diferentes maneiras desde a década de 1960, mas muitas vezes o barulho foi bem maior do que os resultados concretos. Embora uma parte do hype ainda permaneça, casos de uso reais com resultados valiosos estão emergindo, especialmente em torno do aprendizado de máquina, à medida que a adoção vem aumentando continuamente. Segundo nossa pesquisa, inteligência artificial e aprendizado de máquina têm sido usados em 60% das atividades de Internet das Coisas. O que levou a essa mudança? Três coisas foram os principais motores que levaram ao aumento no uso de IA: a convergência de avanços algorítmicos, a proliferação de dados e os aumentos importantes na capacidade de armazenagem e no processamento a custos mais baixos. Para que a inteligência artificial e o aprendizado de máquina possam ganhar escala, são necessárias plataformas de dados em nível de produção. Claramente, líderes empresariais esperam que isso venha a ocorrer, e há a expectativa de que inteligência artificial e aprendizado de máquina passem à frente de outras tecnologias (Quadro 3).

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A Internet das Coisas – provavelmente a aplicação mais transformadora e impressionante dentre as tecnologias inovadoras hoje disponível para consumidores e empresas – ainda está nos estágios iniciais de sua revolução. Mas já estão surgindo tendências importantes. Aqueles que souberem ouvir, aprender e se adaptar possivelmente sairão ganhando.

Sobre o(s) autor(es)

Eric Lamarre é sócio sênior do escritório de Boston da McKinsey, e Brett May é COO da IoT Ventures da McKinsey, baseado no escritório do Vale do Silício.

Os autores agradecem Michael Chui, Jeremy Eaton, Karel Eloot, Bodo Koerber, Teresa Nick, Mark Patel e Satya Rao por suas contribuições a este artigo.