Conquistar o Futuro da Europa

Raúl Galamba de Oliveira, João Castello Branco, Heino Fassbender
Principia, Publicações Universitárias e Científicas, 2005

«Apesar do enorme desafio institucional que a adopção referendária da nova “Constituição Europeia” pressupõe [...], parece incontornável que a questão central reside na capacidade da Europa para vencer o desafio da produtividade — ou, por outras palavras, para cumprir o essencial da Estratégia de Lisboa.»

Na sequência da reunião do Conselho da Europa que teve lugar em Lisboa, em Março de 2000, foi definida a Estratégia de Lisboa que visava, no horizonte de uma década, transformar a Europa na economia mais competitiva e dinâmica do mundo, com base no conhecimento.

A subsequente perda de competitividade do velho continente em relação aos EUA, à qual é actualmente inerente uma crise de confiança em relação à sua estratégia e ao seu futuro, justifica, não um questionamento dos objectivos da Estratégia de Lisboa, mas antes a necessidade de a perspectivar no contexto de uma nova visão para a Europa, susceptível de ser materializada através de uma agenda estratégica de mudança a um tempo ambiciosa e eficaz.

Partindo de uma análise holística das principais forças e fragilidades do actual «modelo europeu», os autores propõem uma abordagem estruturada para permitir à Europa ascender a uma posição cimeira na conjuntura económica internacional. Neste sentido, são propostas e detalhadas quatro alavancas fundamentais para a reforma do referido modelo, nomeadamente a conclusão do processo de criação do mercado único, o desenvolvimento de uma regulação inteligente, o estabelecimento de uma posição de liderança na definição de conceitos de negócio de sucesso, e a reforma do Estado e da Administração.

O livro defende a tese de que a consecução integrada destas alavancas permitirá alcançar o duplo objectivo do crescimento sustentado da produtividade, e da criação de emprego, garantindo, em simultâneo, a sustentabilidade de uma matriz social tipicamente europeia.

A visão proposta é a de uma Europa ágil e competitiva mas também social, apoiada por um mercado vibrante verdadeiramente integrado, e por um Estado sofisticado e eficiente. E o argumento que sustenta esta visão é o de que, sob uma liderança eficaz, o velho continente dispõe das capacidades para levar a cabo um processo de transformação centrado nestas prioridades, em sintonia com os valores e aspirações europeus, em ordem a construir um caminho de desenvolvimento específico para a Europa — the European Way.

Num momento-chave para a Europa, esta obra pretende contribuir para o debate acerca do futuro do velho continente que, segundo os autores, se joga em função do que for conseguido nos próximos 3 anos. Este debate assume uma importância particularmente crítica em Portugal. Dadas as condições de partida — a dimensão limitada do País, escassez de recursos disponíveis e posição periférica —, a integração europeia constitui a única via possível para retomar uma trajectória de desenvolvimento ascendente.


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