Online e no futuro: O impacto da Internet em países emergentes

Online e no futuro: O impacto da Internet em países emergentes

A internet hoje conecta dois bilhões de pessoas no mundo. Metade deles estão no mundo “aspirante”.

A internet atualmente conecta cerca de dois bilhões de pessoas em todo o mundo. Metade dessas pessoas vivem em países “emergentes”, que estão ascendendo rapidamente em direção ao desenvolvimento, com populações diversas e indiscutíveis potencialidades econômicas; são países muito distintos uns dos outros, como Argélia, África do Sul, China, Irã e México.

Em nosso artigo, “Online e o Futuro: O Impacto da Internet em Países Emergentes”, estudamos o impacto da internet em países populosos e com crescimento acelerado, nos quais ela demonstra potencial ainda maior do que no mundo desenvolvido. Analisamos além do PIB e mensuramos o impacto da internet no sentido mais abrangente, em termos de excedente do consumidor e do desenvolvimento de ecossistemas de internet. Mensuramos os ambientes do país para o e-commerce e o empreendedorismo e analisamos detalhadamente seu efeito em pequenas e médias empresas (PMEs).

Fizemos um estudo detalhado sobre nove países emergentes: Argentina, Hungria, Malásia, México, Marrocos, Nigéria, Taiwan, Turquia e Vietnã. Cada um deles tem um ecossistema de internet distinto, geralmente com pontos fortes e fracos específicos.

Abaixo, apresentamos sete conclusões principais:

  1. A internet está crescendo a uma taxa impressionante em países emergentes, mas com trajetórias de evolução muito diferentes. A penetração da internet tem crescido 25% ao ano nos últimos 5 anos nos 30 países emergentes, em comparação à taxa de 5% ao ano em países desenvolvidos. Muitos usuários de internet em países emergentes têm acesso à internet unicamente por meio de telefones celulares. As assinaturas de planos móveis em países emergentes aumentaram de 53% (em relação às assinaturas de planos móveis em todo mundo) em 2005 para 73% em 2010.
  2. O impacto da internet em países emergentes tem sido significativo, mas ainda há um enorme potencial se esses países alcançarem os níveis das nações desenvolvidas. A internet contribui com uma média de 1,9% do PIB em países emergentes - $366 bilhões em 2010. A contribuição da internet em países desenvolvidos é, em média, 3,4% do PIB. Atualmente, o excedente do consumidor está entre $9 e $26 por usuário/mês nos nove países emergentes, muito abaixo dos $18 a $28 por usuário/mês que temos observado nas economias desenvolvidas.
  3. Os indivíduos têm utilizado a internet de maneiras significativas e dinâmicas em países emergentes. De maneira geral, os indivíduos são os primeiros a se beneficiarem da internet em países emergentes, principalmente por meio de serviços gratuitos, tais como redes sociais e mecanismos de busca. A metade mais jovem da população alavanca a adoção de serviços online e o nível de seu engajamento em certas atividades online, tais como redes sociais, frequentemente ultrapassa o de países desenvolvidos.
  4. Empreendedores em países emergentes prosperaram apesar das limitações do ecossistema de internet. Os empreendedores em países emergentes são em geral empreendedores sociais eficazes, à medida que ajudam a construir um ecossistema de internet robusto. Eles se viram obrigados a inovar, criando novos modelos de negócios que permitissem aos usuários superar as restrições locais, como, por exemplo, oferecer pagamento para compras online mediante a entrega física ou usar contas móveis em vez de cartões de crédito.
  5. Há um enorme potencial para as empresas alavancarem e obterem benefícios da internet - muito além do que fazem hoje. As grandes empresas foram as primeiras a adotar a banda larga e, atualmente, são líderes na adoção de tecnologias web mais avançadas. As pequenas e médias empresas (PMEs) ainda não alavancaram tecnologias da informação e comunicação (TIC) e tecnologias web na mesma medida que as grandes empresas. Quando empregadas, as tecnologias web e TIC proporcionaram às PMEs aumento nas receitas, redução nos custos, maior produtividade e criação líquida de empregos.
  6. Os governos e o setor público estão oferecendo serviços públicos melhores e mais acessíveis através da internet, mas ainda há espaço de crescimento. Os serviços públicos online ainda estão em fase incipiente nos países emergentes. Entretanto, eles já permitiram que os governos melhorassem a prestação de serviços, em áreas como saúde e educação. Os governos de países emergentes também desempenharam um papel ativo no estímulo ao acesso à internet, bem como à sua utilização, investindo na infraestrutura de áreas rurais para criar clusters de inovação com foco no crescimento impulsionado pela internet. Além do mais, os governos, como formuladores de políticas públicas, definem a regulamentação, influenciando o ambiente no qual os ecossistemas de internet se desenvolvem.
  7. Países emergentes podem beneficiar-se de suas características distintas para fomentar o desenvolvimento de ecossistemas de internet. Há mais de uma forma de gerar impacto social e econômico com a internet. Cada país emergente tem um perfil macroeconômico único, resultando em oportunidades distintas para aproveitar plenamente o potencial e o crescimento da internet.