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Como as empresas de destaque se diferenciam dos concorrentes

Por Dominic Barton, James Manyika, Tim Koller, Robert Palter, Jonathan Godsall, e Josh Zoffer
Como as empresas de destaque se diferenciam dos concorrentes

Índice elenca as práticas que podem fazer a diferença entre uma empresa de alta performance e as demais.

O enfoque de curto prazo nas empresas é tema de debate entre líderes empresariais, governamentais e acadêmicos há mais de 30 anos, mas as provas concretas de que esse enfoque de curto prazo realmente prejudica a performance da empresa e o crescimento econômico permanecem escassas. A fim de preencher essa lacuna e entender melhor o capitalismo no longo prazo, criamos uma medição sistemática dos enfoques de longo e de curto prazo no nível da empresa. Nossas descobertas mostram que as empresas que classificamos como sendo de “longo prazo” apresentam uma performance melhor do que empresas pares com foco no curto prazo em uma série de indicadores econômicos e financeiros fundamentais (Quadro).

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Nosso Corporate Horizon Index utiliza cinco fatores e um conjunto de dados de 615 empresas norte-americanas de alta e média capitalização com ações cotadas em bolsa, referentes ao período de 2001 a 2015, e baseia-se em padrões de investimento, crescimento, qualidade dos ganhos e gestão dos ganhos. Ele nos permite distinguir as empresas que têm foco no longo prazo das demais e comparar sua performance relativa, considerando as características do setor e o porte da empresa.

A partir desse índice foi possível extrair vários resultados:

  • De 2001 a 2014, a receita das empresas de longo prazo apresentou um crescimento cumulativo 47% superior, em média, ao da receita das outras empresas, e com menos volatilidade. Em termos cumulativos, ao longo desse período, os ganhos das empresas de longo prazo cresceram 36% a mais, em média, do que os ganhos das outras empresas, e seu lucro econômico cresceu 81% a mais, em média.
  • Entre 2001 e 2014, as empresas de longo prazo investiram mais do que as outras. Embora tenham iniciado esse período com gastos de pesquisa e desenvolvimento ligeiramente inferiores, até 2014, em termos cumulativos, as empresas de longo prazo gastaram, em média, 50% a mais em P&D do que as outras. Mais importante: elas continuaram aumentando seus gastos de P&D durante a crise financeira, enquanto as outras empresas cortaram suas despesas de P&D; de 2007 a 2014, os gastos de P&D das empresas de longo prazo cresceram a uma taxa anualizada de 8,5%, em comparação com 3,7% no caso das demais.
  • As empresas de longo prazo exibiram uma performance financeira mais robusta ao longo do tempo. Em média, sua capitalização de mercado cresceu USD 7 bilhões a mais do que a das outras empresas entre 2001 e 2014. Seu retorno total para os acionistas também foi superior, com uma probabilidade 50% maior de estarem no decil superior ou no quartil superior até 2014. Embora as empresas de longo prazo tenham sofrido, em comparação com as outras, golpes mais fortes em sua capitalização de mercado durante a crise financeira, o valor de suas ações se recuperou com mais rapidez após a crise.
  • Em média, as empresas de longo prazo geraram quase 12.000 empregos a mais do que as outras empresas entre 2001 e 2015. Se todas as empresas tivessem criado tantos empregos quanto as de longo prazo, a economia dos Estados Unidos teria obtido um acréscimo de mais de cinco milhões de empregos ao longo desse período.Com base nessa possibilidade de geração de empregos, isso sugere, preliminarmente, que o valor potencial liberado pelas empresas com enfoque de longo prazo alcançou mais de USD 1 trilhão em termos de PIB norte-americano, que foi perdido ao longo dos últimos 10 anos. Se essas tendências se mantiverem, esse valor pode chegar a quase USD 3 trilhões até 2025.

Faça download do relatório completo no qual este artigo se baseia, Measuring the economic impact of short-termism (PDF–258KB). Para mais informações sobre este assunto, veja “Finally, proof that managing for the long term pays off,” em HBR.org.

Sobre o(s) autor(es)

Dominic Barton é Presidente da McKinsey global; James Manyika é Diretor do McKinsey Global Institute; Tim Koller é sócio do escritório da McKinsey em Nova York, onde Jonathan Godsall é associate partner e Josh Zoffer é consultor; e Robert Palter é sócio sênior da McKinsey no escritório de Toronto.